João Barone comenta shows nos Estados Unidos da América
Foram cinco apresentações carregadas de emoção ao longo dos dez dias corridos de viagens dentro do território do Tio Sam. Peço licença para falar um pouco e especialmente sobre a nossa platéia típica nestas viagens, em sua maioria composta por "brasilicanos", uma turma que se estabeleceu faz tempo na América e não consegue voltar ao Brasil, por uma ou outra razão. Falam uma bizarra mistura de português com inglês, ao modo dos jogadores de futebol que esquecem "algumas" palavras. As conversas que tivemos e o perfil desta galera merecem um estudo sociológico, pois se muitos alegam que nos Estados Unidos podem ter tudo, materialmente falando, ao mesmo tempo reclamam de como é difícil ficar longe do nosso querido país, da família e dos amigos. É fácil observar o quanto esta gente fica num dilema ao estar se dando bem fora do país, depois de ter as oportunidades de trabalho e perspectiva de futuro negados na sua pátria. E eu fiquei pensando em quanta gente boa o Brasil perde para o exterior, seja a garçonete do "Rain Forest Café", ou o professor phd que vai fazer pesquisa em universidade americana... Os que vão parar lá, não vão de férias. Com as dificuldades que esta turma sofre no exterior, fica claro que não é a América que está sendo bondosa para com eles, mas sim o Brasil quem lhes "nega oportunidades, mostra a face dura do mal"... Ficamos muito felizes em poder levar um pouco de alegria para esta gente valente morando nos USA, aturando -20 graus no inverno de Boston, ou 16 horas de distância de São Paulo até Los AngelesO primeiro show em Boston foi num teatro patrocinado por uma companhia aérea brasileira, bastante gente. Boston é uma das maiores comunidades brasileiras nos USA. Mas parece que toda cidade que a gente chegava, nos diziam a mesma coisa... A calorosa reação das platéias foi sempre muito parecida em cada cidade. Cruzamos o país saindo de Boston para São Francisco, na Costa Oeste, em quase 7 horas de vôo. Tocamos num teatro bem legal. Voamos para LA, menos de uma hora de vôo, onde nos apresentamos para uma animada turma, num teatro bem "da hora", o Avalon, ao lado do famoso prédio da Capitol Records, na Vine Street. Lá se apresentaram recentemente bandas do naipe dos Red Hot Chilli Peppers e Black Eyed Peas. Nos disseram que o lendário roqueiro Jerry Lee Lewis morou de favor neste teatro quando estava meio sem grana. Quem apareceu a convite do meu técnico de bateria, Rodrigo Cerqueira, foi o guitarrista do Weezer, Brian Bell. Gente boa. Pena que a gente não sabia tocar alguma música legal deles, tipo "Bervelly Hills", que seria bem a propósito... Mas ele não também sabia tocar Alagados...Deixamos LA de volta à costa leste, para o show mais perto que conseguimos chegar de Manhattan, em Newark, famoso pólo da comunidade brazuca da região. O show foi animado, mas o som estava meio estranho, sem fazer jús aos outros shows. Mas na hora h, o couro come e fica tudo bem.Zarpamos para Miami, Flórida, um dos pontos do Triângulo das Bermudas, lugar onde o Bi se sente muito bem, uma vez que só anda de bermudas (He!He!).Dizem que em Los Angeles ninguém anda (Nobody Walks in LA, era uma música de uma banda chamada Missing Persons, dos anos 80, deixa pra lá...), mas sinceramente, Miami é pior! Acho que passamos mais tempo se deslocando de carro de um lado para o outro do que com os pés no chão. Tudo é longe! Mais um show lotado e a galera apagando um pouco as saudades da terrinha...Voltamos para casa com aquela antiga sensação de dever cumprido. E voltamos antes da grande manifestação ocorrida no dia 1º de maio, quando os imigrantes combinaram parar suas atividades em todo país. A América promete a todos a doçura da rapadura, que sabemos não ser mole... Vamos como será esta nova cara da América prometida para os imigrantes, possivelmente a maior força de trabalho dos Estados Unidos. Como vão ficar os Ramires, Balboas, Garcias e Hernandez que trabalham no McDonalds, viraram jogadores de baseball ou músicos famosos, aqueles com o nome costurado no uniforme, que são os primeiros a voltar embalados em sacos pretos, dos passeios de Hummer pelo Afeganistão e Iraque...Thank you, América, good night, New York! Valeu, pessoal!


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